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O Teatro Deodoro será palco hoje, às 19h, para o show "Alagoando", uma mostra da canção que se faz neste Estado comandada por alguns craques da nossa cena musical como Júnior Almeida, Wilson Miranda, Naldinho, Basílio Sé, Sóstenes Lima, Jurandir Bozo, Dona Maria e Caçuá. Em decorrência do Fórum Permanente de Música de Alagoas, criado no início deste ano a fim de se integrar à Câmara Setorial de Música do Ministério da Cultura, o encontro de hoje traz também um caráter de confraternização entre os músicos. "É a primeira vez que eu vejo os artistas se reunirem por iniciativa da própria classe", diz Júnior Almeida referindo–se ao FPM–AL. "Éuma boa oportunidade para acabarmos com o mito de que a classe artística é desorganizada e para sanar alguns problemas relacionados à divulgação da música alagoana", completa o cantor apostando em maiores avanços nesse quesito. Na noite de hoje, os artistas interpretarão uma de suas canções e dividirão o palco entre si. A idéia é que todos eles permaneçam no palco numa apresentação coletiva. Para Linete Matias, integrante do Caçuá —grupo que mistura música regional com teatro e dança—, a apresentação de hoje já é um fruto positivo das discussões do Fórum. "Tudo o que fazíamos antes estamos fazendo hoje. A diferença é que o individualismo era forte, havia muitas panelinhas, e isso dificultava nossas ações. A partir do momento em que unimos forças, tudo fica mais fácil", diz ela. E para Deyves parece não ser diferente. Segundo o músico, as discussões do Fórum têm sido muito importantes não só para trilhar novos rumos para a música caeté, mas também para tornar a classe mais unida. Não à toa, diz ele, não foi preciso muitos ensaios para o show de hoje. "Temos uma certa bagagem, acompanhamos cada vez mais de perto o trabalho um do outro. Certamente vamos mandar brasa na noite de hoje", promete ele. O Fórum A Câmara Setorial de Música é uma proposta do Ministério da Cultura de caráter consultivo a fim de que todos os estados da federação criem seus fóruns dediscussão. Desde que foi criado, o FPM–AL promove reuniões semanais para discussão e organização de atividades político–culturais, objetivando a profissionalização, o fomento e a educação musical em Alagoas, e debates mensais, abertos ao público. "Fazer música nesse estado virou uma coisa meio masoquista. Ninguém ganha para fazer isso", lamenta o baixista Félix Baigon —ele é técnico de música do Sesc/AL—, insistindo na qualidade da produção local. "Os jovens acabam pegando o que a mídia oferece por falta de opção. Temos uma porrada de músicos talentosos sem espaço para divulgar seus trabalhos", desabafa. Baigon destaca a importância do Fórum, a partir do qual uma série de idéias têm surgido e, o que é mais importante, saído do papel. "Conquistamos o espaço de uma hora na programação da rádio Gazeta, em que apenas composições de músicos alagoanos serão tocadas. Teremos, também, lugar certo na programação do Teatro de Arena, onde em todas as quartas–feiras do mês estará em cartaz um show de um músico alagoano, assim como no restaurante Trilha do Mar, que já garante público certo todos os domingos para divulgação do nosso trabalho", comemora Baigon, recrutando a mobilização de todos. "Precisamos mobilizar a classe. A idéia é mostrar a diversidade." O músico antecipa o tema do debate público que será realizado no final deste mês. "Vamos discutir a educação musical e as linhas de ação nesse sentido." "Alagoando" — Hoje, às 19h. No Teatro Deodoro — pça. Marechal Deodoro, s/n, Centro. R$ 2. Tel.: (82) 3315 5665.
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